quinta-feira, 10 de julho de 2014

Que rei sou eu?

Deveria ser um direito meu, não querer me encontrar. E quem sabe assim, eu não me achasse nunca e me tornasse um eterno vai e vem de emoções.

“Ser” é algo mais dolorido do que a alma humana pode aguentar. Mais dolorido ainda nos tempos de hoje, onde tudo vale mais do que você. Seu cachorro vale mais. Seu terno vale mais. Suas viagens valem mais. Seu smartphone vale mais. Seu carro do ano também. Seu amor vale menos. Sua alma não vale nada. E ela jamais será salva!

As igrejas estão lotadas. Os consultórios também. É a era da doença, da ostentação, da futilidade, do desamor, da falta de apego, da manipulação, do narcisismo, mas não é o fim dos tempos. Talvez, apenas o começo dele. Aqui, começa onde vamos terminar.

Não me encarem como mal humorado ou só mais um pessimista. Eu não quero, nem pretendo, aconselhar ninguém. Minha ideia, aliás, é só contar o que passo, pois assim, quem sabe, não corto a garganta e não me encho de Prozac.

O começo dos tempos: quem diria que seriam tão difíceis estes anos? Achei que poderia ser minha época de ouro, meus anos de glória. Sou um falido de mim mesmo. Perdido pra sempre nesse meio termo. Um pé nos anos 90, outro aqui nesse futurão escroto que todo mundo ama.

Não posso reclamar. Eu não o amo, mas o venero. Há, como eu o venero! A abordagem dada as nossas vidas, como se estivéssemos para sempre presos em eternos festivais. Estamos tão obcecados por este estilo de vida perfeita que esquecemos de viver para nós mesmos.

Eu já tentei me interiorizar, fugir pros alpes, me ver livre de tudo isso que me torna tão sujo e com a impressão de tantos fardos. Eu, com meus vinte e muitos anos, sinto-me como carregasse a idade da humanidade. Somos agora seres estranhos que sabemos de tudo sem a menor profundidade mas com aura de especialistas.

Já conversei com Buda, Deus, Allah e Oxalá. Já procurei um pastor, um padre, um macumbeiro e minha psicóloga. São eles que me restam nessa solidão que levo tão bem acompanhado. Eu os procuro, eu os esqueço. Depende da minha carência. Da minha carência de mim, da minha carência deles, da minha carência do que disseram-me que eu poderia ser e que até agora não me tornei.

Afinal, o que vocês querem? Eu tenho vontade de gritar no maior pico, com o maior eco: Afinal, o que vocês querem? E eu posso me ouvir respondendo no silêncio sem resposta: quero ser eu. Este é o problema, me enganaram. Me engaram! 

Please, don’t stop the music

Me bateu uma saudade louca, como se você nunca nos tivesse abandonado sem ao menos olhar para trás.

Na minha saudade você ainda estava aqui, na minha saudade eu ainda tinha o direito de ter saudade. Na minha saudade você havia nos avisado que ia embora. A dor dessa minha saudade me cortava por nada. Me cortava por que após tanto tempo nós ainda a sentíamos. Essa saudade só dói porque ela já não cabe mais aqui. Não serve mais para o meu peito ou para as lágrimas de nossos amigos. Essa velha saudade já não deveria habitar nossos mundos.

Eu não não posso mais te ver, mas as vezes sinto como se ainda pudesse conversar com você. Então as vezes me pego pedindo conselho para o ar e te imagino respondendo. Veja como essa saudade não cabe mais, ela irá nos enlouquecer. Então, deixe-nos ir. Você precisa ir. Eu preciso ir. Nossos amigos precisam ir. Move on, let’s go. Nós não paramos a música. Por favor, não pare a música. “If I die young (...) Send me away with the words of a love song.”. Nós fizemons isso. Então, por favor, deixe-nos ir. Por favor, não pare a música. Is done, it’s over, é o fim, adeus. Te amamos, até o fim.