terça-feira, 24 de julho de 2012

E mesmo que todos os seus medos fiquem no passado, eles não foram escritos na areia. Mesmo que o vento sopre e o tempo mude, a brisa não vai levá-los para longe. Eles estão gravados como em tronco de árvores. Ficam cobertos, mas nunca desaparecem.
Digo com a certeza de quem vê diante de seus olhos o passado lhe dar bom dia, que há pessoas, cheiros e cores que sempre dão meia volta, batem a sua porta e perguntam se tem pão duro. 
Mas se já sabemos que o mundo gira e que um dia as farpas voltam para furar nossos dedos, porque ainda teimamos em jogá-las ao vento?



quinta-feira, 5 de julho de 2012

De papo pro ar e com calma na alma ele via o mundo de maneira distinta. O começo era sempre assim, quieto, estreito, invisível e nublado. Ah, como ele odiava as voltas que a vida dava. Mas de pato, sempre virava pavão. Engraçado, ele também odiava isso. Porém, nada o dava mais prazer do que sentir-se encaixado, como se fosse um quadrado que tivesse se enfiado no buraco certo, só que ao mesmo tempo, se entender sua bipolaridade, matava-se por isso.


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Minha vida percorreu sozinha milhões de caminhos. Lembro-me bem de labirintos e precipícios. E eu senti, todos eles. 
Mas eu escolho o que eu deixo ficar. Deixo ficar a sensação da chuva que lavou minha alma a cada final de jornada. 
Ainda bem, e que assim seja. Amém.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Eu vou nessa valsa, nesse meio samba. Com todo medo do mundo e me curando do que não presta, assim, velhas feridas já nem sangram mais.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

E mesmo quando seus pensamento foram levados a não pensarem mais em nada ele insistiu e fugiu de tudo que não era do bem. Isolou-se em um casulo, que ao contrário de torná-lo borboleta fazia dele novamente um grão. Queria sentir-se parte da terra, ser a própria, e foi. Foi tanto que torno-se, e sentia, sentia tudo. O bem, o mal, o que é e não é visível aos nossos olhos. Ele podia ver a totalidade, porque agora fazia parte de um universo sensitivo que tudo era e nada parecia. Tinha sido mas um na multidão e agora era grão.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Sentir, Sentidos

Até então não existia argumentos válidos para nada. Tudo partia de um ponto, ficava sem sentido e acabava bonito. Pensando pelo lado correto parece até mágica. 
A vontade  voraz de estar acordado motivada por esse algo muda universos. Universos outrora já dominado por gigantes ultrapassados e queimados na fogueira do tempo. 
Você não vai entender, esquece isso. Aliás, até vai. Em uma tarde de bobeira pensando nas futilidades invisíveis que te cercam, vai entrar em uma realidade abominável que será esfregada em sua face. No entanto, só conseguirá rir. 
Figura patética, porém, cena engraçada, bom sentir isso. Quanto desperdício de universo aquele tempo, descobriu então. Mas agora que houveram mudanças, já não há o que entender.
O que não tem sentido toma seu próprio caminho, e esse te leva aonde você não queria chegar.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

2012

Hoje senti sua falta, da sua risada desalinhada de quem ri de suas próprias piadas. A melodia que toca na minha playlist fala de uma garota em busca  de seu próprio paraíso. Eu vivo tentando encontrar o meu, engraçado, você vivia dentro do seu. 
O mundo sente sua falta.
Dois mil e doze não vem trazendo ótimas notícias meu amigo, tá tudo em meio ao caos. É prédio que cai no Rio, é prédio que cai em Sampa, os bueiros andam saltando em nossas cabeças, a polícia e os bombeiros estão falando de uma tal de greve  que vem por aí. No meio desse verão que frita nossas cabeças é bem capaz da loucura se instalar, mas quem liga né ?! O carnaval é daqui a menos de duas semanas mesmo.
Outro dia li em um livro que os estudantes deveriam protestar, que antigamente não era assim, mas sei lá, será ?! 
É que hoje em dia tem a Luiza, aquela que estava no Canadá, e a galera quer mesmo é postar a boa vida que tem no Facebook. Pra que protestar ? Revolução ? Só se for cibernética. Só vou para passeata se tiver funk e Cláudia Leite, caso contrário eu fico em casa vendo BBB, que a menina outro dia até foi estuprada.
É meu amigo, dá um abraço aí em São Pedro e pede para ele um pouquinho de chuva para ver se ameniza o calor desse caos. Aliás, eu só queria dizer que em meio a ele, sinto mais falta ainda da sua convicção utópica em um paraíso. Se bem né, você encontrou.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O chão treme bem embaixo de meus pés, meus sentidos se perderam, já não existe nenhum barulho a minha volta, meu corpo começa a ser tomado por uma derrota, um silêncio, um vazio que não trás calmaria. O mundo parou, o seu, o meu, o nosso. As mãos tremem, já não enxergo nada, eu apenas vejo e sinto. Sinto um buraco negro  formando-se dentro do meu peito.
Escutei uma voz chorosa e escandalosa porém perdi minha capacidade de escutar.
O buraco cresce, vem tomando todo meu corpo, já tão pequeno e frágil, sinto-me tomada por um mar de águas salgadas que não param de sair de meus olhos, eu não penso. Eu caio.
Agora a fragilidade da vida me assusta, pois não estamos imunes meus velhos amigos, nós já não somos mais imunes, agora já não viveremos pra sempre.