terça-feira, 24 de julho de 2012

E mesmo que todos os seus medos fiquem no passado, eles não foram escritos na areia. Mesmo que o vento sopre e o tempo mude, a brisa não vai levá-los para longe. Eles estão gravados como em tronco de árvores. Ficam cobertos, mas nunca desaparecem.
Digo com a certeza de quem vê diante de seus olhos o passado lhe dar bom dia, que há pessoas, cheiros e cores que sempre dão meia volta, batem a sua porta e perguntam se tem pão duro. 
Mas se já sabemos que o mundo gira e que um dia as farpas voltam para furar nossos dedos, porque ainda teimamos em jogá-las ao vento?



quinta-feira, 5 de julho de 2012

De papo pro ar e com calma na alma ele via o mundo de maneira distinta. O começo era sempre assim, quieto, estreito, invisível e nublado. Ah, como ele odiava as voltas que a vida dava. Mas de pato, sempre virava pavão. Engraçado, ele também odiava isso. Porém, nada o dava mais prazer do que sentir-se encaixado, como se fosse um quadrado que tivesse se enfiado no buraco certo, só que ao mesmo tempo, se entender sua bipolaridade, matava-se por isso.