Com uma fé no mundo que nunca vi antes, essa primeira vai com o vento. Sempre foi assim, ela nunca sai do eixo e quando sai, só é engraçado. Já vi pessoas sentirem tanta raiva que causam até tremor na terra. Mas com essa não, a raiva dela é branda, quase calma. Controverso eu sei, é que a criatura também é assim. Estranha, esquisita e boa. Sim, vos digo, boa como nunca conheci outra igual. A doida não cultiva rancor, nem inveja e leva o perdão em uma maleta que nunca larga.
Desde que o universo é universo, ele é sujo. E esse é um dos motivos por eu não entender como ela vê tanta beleza em tudo. O ombro amigo mais democrático da face da terra não tem inimigos e se encanta fácil com qualquer animal, seja ele racional ou não. De fácil trato e de cuca leve, tenho certeza que teria facilidade - tipo “so easy” mesmo - de viver em uma choupana, com umas roupas feitas de saco de batata, um fofo vira-lata e a água do mar pegando seus pés. Estou rindo – mesmo – por que é muito fácil imaginar essa cena.
Já o outro, de cabelo da mesma cor do coração, também é de fé, mas não no mundo. Esse odeia o mundo, o mundo é um cão para ele, mas tem fé em Deus, uma fé inabalada que várias vezes foi transferida a mim, sem cobranças, por um aperto de mão, um abraço ou seu clássico beijo na testa.
Este não cobra taxas por sua amizade e não pode ser comparado a nenhum outro ser deste mundão divino. O pouco que entendo sobre o começo de nossa camaradagem é que somos nada parecidos. Caipora, como acabei de apelida-lo, andava pelos corredores com jornal embaixo do braço dialogando sobre as notícias de economia e política, o fato interessante nisso tudo era nossa pouca idade, mas apesar de tal fato o danado era entendido do assunto.
O moleque parecia perturbado das ideias e nada como um assunto de cunho sexual para deixa-lo com as facetas rosadas. Isso nos divertia, digo nós, a louca da choupana e eu..
Tornamo-nos, então, integrantes perfeitos de uma patota mal feita, mal desenhada, desleixada e sem um tostão no bolso. Vivíamos, e vivemos até hoje, a base de encontros não arranjados e boas comilanças. Nos suportamos assim, de boa prosa e pança cheia. Isso faz da nossa amizade mais gostosa do que a de todos vocês que nos leem agora.
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